domingo, 7 de abril de 2013

Em março de 2012, foi realizado um curso, na cidade de Lisboa, em Portugal, denominado "para além da masculinidade hegemônica". Como os links para os textos, vídeos, continuam disponíveis e por ser um material muito sutil e relevante, publico neste BLOG do NEGA.
FONTE  http://www.umarfeminismos.org/projectobig/index.php/o-que-e-o-big-ei/cursos-livres/cursos-realizados/126-para-alem-da-masculinidade-hegemonica


Tb neste site abaixo a íntegra da palestra de Daniel Cardoso no Curso, excelente fala:

http://danielscardoso.net/index.php/pt/homepage/79-ptwebsite/activism/118-novasmascumar2012


A 31 de Março de 2012 realizou-se, no Centro de Cultura e Intervenção Feminista, o segundo curso livre intitulado “Para Além da Masculinidade Hegemónica”, no âmbito do projecto big~Ei, contando com uma audiência de cerca 50 pessoas.
A conferência de abertura esteve a cargo de Miguel Vale de Almeida (antropólogo e professor associado com agregação no ISCTE-IUL, investigador do CRIA). Na conferência de abertura, Miguel Vale de Almeida, para além de referir o conceito de masculinidade hegemónica e identificar as características associadas a essa masculinidade hegemónica, procurou evidenciar a pluralidade de masculinidades existentes que, inevitavelmente, rompem com a masculinidade hegemónica. Reflectir criticamente sobre as transformações sociais que decorrem da existência de uma pluralidade de masculinidades foi tema que se seguiu ao longo de toda a sua intervenção.
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Seguiu-se o painel “Construção e Impactos da Masculinidade Hegemónica” que contou com as intervenções da Maria do Mar Pereira – Construção da masculinidade na escola, Bruno Monteiro – A construção da masculinidade numa fábrica no norte do país e, António Manuel Marques – A masculinidade na cirurgia, com moderação de Olímpia Pinto. Segundo as palavras da Maria do Mar (professora auxiliar de estudos de género no Centre for Interdisciplinary Gender Studies da Universidade de Leeds e investigadora no CEMRI, Universidade Aberta) “a escola é um espaço de negociação intensiva da masculinidade e feminilidade (…)”. Mediante a apresentação de uma investigação numa escola na cidade de Lisboa, Maria do Mar procurou analisar dois aspectos na sua investigação: como é que através do uso do espaço e uso do corpo se produzem e demonstram masculinidades hegemónicas em contexto escolar e como se regulam masculinidades subordinadas, a fim de se manter sólida a masculinidade hegemónica.

Por sua vez, Bruno Monteiro (sociólogo, investigador associado no Instituto de Sociologia, Universidade do Porto, e investigador colaborador do Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa) dedicou a sua intervenção numa exposição sobre a construção da masculinidade numa fábrica do norte do país. Nesta sua abordagem, Bruno Monteiro analisou como quotidianamente é construída e reconstruída aquilo que é genericamente designado como “cultura de oficina”. Para tal, inseriu-se na comunidade fabril tendo sido contratado como operador de máquina durante 14 semanas. Mais tarde, em 2008, foi viver para a comunidade industrial como forma de complementar a sua pesquisa e, no mesmo ano, foi jogador no clube de futebol “Heróis Futebol Clube”.

Como última intervenção, António Manuel Marques (docente da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal, doutorado em Psicologia Social e investigador na área da sexualidade, da saúde e do género) apresentou as questões da masculinidade na cirurgia. Constatou, num trabalho terminado em 2007, que existia um número elevado e, em constante crescimento, de mulheres profissionais na área da medicina. Contudo, verificou-se, uma fraca presença de médicas na especialidade de clínica geral.
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O segundo painel, intitulado “Masculinidades Alternativas”, contou com as intervenções de Daniel Cardoso, Cristiana Pena e Carlos Gonçalves Costa, com a moderação de Joana Sales.

Daniel Cardoso (professor assistente na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e Doutorando em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa) iniciou a mesa abordando diferentes questões relacionadas com as novas masculinidades, nas relações afectivo-sexuais, nas sociedades ocidentais contemporâneas. Segundo as suas palavras, “cada vez mais as pessoas entram e saem de relações afectivas e/ou sexuais procurando acima de tudo estar bem e sentirem-se bem dentro dessas relações (…)”. Cristiana Pena (doutoranda em Media & Communications – Goldsmiths/University of London e mestre em Estudos sobre as Mulheres pela Universidade Aberta de Lisboa e em Cultura Visual pela Middlesex University, Londres) fez a sua intervenção sobre masculinidades lésbicas referindo diferentes autoras que estudaram/investigaram as questões relacionadas com essas masculinidades.“Negociando velhas e novas masculinidades” foi o título do último painel da manhã com a intervenção de Carlos Gonçalves Costa (mestre em Psicologia Social). A sua intervenção centrou-se na apresentação de dados do projecto de investigação, em curso, “Homens nas margens, idade, etnicidade, orientação sexual e trajectórias profissionais na construção da masculinidade não hegemónica”. Em termos metodológicos, Carlos Costa refere que se privilegiaram as relações mutuamente constitutivas das identidades sociais e dominaram a forma como essas categorias interagem a determinados níveis.
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O painel III – “Para além da hegemonia: masculinidades feministas” contou com as intervenções de João Pereira e Santiago Guillamon. João Pereira (técnico superior da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género), convidado a falar sobre masculinidades feministas, refere que não tem sentido, em Portugal, uma energia e um impulso dos homens feministas e não feministas em discutirem as suas masculinidades. Ainda para este painel foi importante ter uma perspectiva sobre a experiência do Estado Espanhol tendo-se contado, para tal, com a presença de Santiago Guillamon, diplomado em trabalho social pela Universidade de Múrcia e membro da Associação de Homens pela Igualdade de Género. Santiago expõe não só a experiência do Estado Espanhol, em matéria de Igualdade de Género, como refere que a associação possibilita uma forte reflexão e questionamento sobre a masculinidade.

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Com o intuito de promover a troca de experiências individuais de vivências para além da masculinidade hegemónica, o curso livre promoveu uma Mesa Redonda contando com as presenças de Júlia Pereira, Mi Guerreiro, Lara Crespo, Filipe Fialho, Paulo Jorge Vieira e Ulício Cardoso, que, com a moderação de Magda Alves, relataram as suas experiências pessoais, cruzando análises de classe, etnia, orientação sexual, etc.

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A conferência de encerramento esteve a cargo de João Manuel de Oliveira (investigador em pós doutoramento na Universidade do Minho e Visiting Fellow do Birkbeck Institute of Social Research, University of London) e Lígia Amâncio (licenciada em Psicologia e Educação pela Universidade de Paris VIII, doutorada em Sociologia pelo ISCTE e professora catedrática de psicologia social do ISCTE-IUL desde 2002). Lígia Amâncio abordou a questão das masculinidades numa perspectiva histórica e de movimentos sociais, enquanto João Oliveira se debruçou a sua intervenção sobre teoria feminista e sua relação com as masculinidades.
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