terça-feira, 1 de maio de 2012

Minicurso de Mulheres Negras no Ceará, na UFC

Entre os dias 11 a 14 de abril, tive a oportunidade de conhecer a cidade linda de Fortaleza, e ministrar um minicurso de 8 horas, na Universidade Federal do Ceará, a convite da querida professora doutora e pesquisadora Edilene Ribeiro, sobre Mulheres Negras:

Na ocasião, conheci as bolsistas de PIBIC da professora Edilene, Sayonara e Nahtalie, cujas pesquisas são dentro dos Estudos de Gênero, resgatando mulheres escritoras do século XVIII e seus escritos. Eu porém, fui falar sobre mulheres negras representadas na Literatura Brasileira e autoras negras, como Maria Firmina dos Reis, Carolina de Jesus, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves, cujo principal romance tem 900 páginas.
 A plateia estava sempre lotada, foram mais de 60 alunos e vimos, discutimos, curtimos poemas e trabalhos de autoras negras, como a poesia de Auta de Souza, poeta nordestina, nascida em Natal, no século XIX e que morreu de tuberculose com apenas 24 anos.


POEMA DE MARIA FIRMINA DOS REIS:
Ah! Não Posso
Maria Firmina dos Reis (1871)
Se uma frase se pudesse
Do meu peito destacar;
Uma frase misteriosa
Como o gemido do mar,
Em noite erma, e saudosa,
De meigo, e doce luar.
Ah! se pudesse!… mas muda
Sou, por lei, que me impõe Deus!        
Essa frase maga encerra,
Resume os afetos meus;
Exprime o gozo dos anjos,
Extremos puros dos céus.

Entretanto, ela é meu sonho,
Meu ideal inda é ela;
Menos a vida eu amara
Embora fosse ela bela.
Como rubro diamante,
Sob finíssima tela.

Se dizê-la é meu empenho,
Reprimi-la é meu dever:
Se se escapar dos meus lábios,
Oh! Deus, – fazei-me morrer!
Que eu pronunciando-a não posso
Mais sobre a terra viver.