domingo, 26 de julho de 2015

Lançamento de livro sobre as Áfricas

No dia 10 de junho de 2015, veio a lume um importante livros sobre as questões da negritude e sobre a África, precisamos trazer esta obra ao Acre e quem sabe fazer por aqui um novo lançamento do
excelente livro de Gabriel Ambrósio, e seria uma ótima oportunidade de conhecer o autor....
O livro Áfricas ocultas vem oportunamente, em tempos de combate ao racismo, tirar do silenciamento o discurso de homens e mulheres por tantos século calados e escravizados pela raça branca.
Abaixo fotos do lançamento de livro de Gabriel Ambrósio, que esperamos que ele goste de ver republicadas aqui, no intuito somente de ajudar a divulgar a obra, mas as fotos foram originalmente publicadas em sua página no Facebook, que recomendamos fortemente visitar: 
https://www.facebook.com/MavendaNuniYaAfrica



As fotos são para mais gente possa conhecer o jovem autor e agora quero mesmo é comprar um exemplar para mim e começar a ler imediatamente, parabéns Gabriel Ambrósio.

A emoção por trás das desigualdades, por Gabriel Ambrósio

Olá gente,
Procurando novidades para o Blog, que pudessem enriquecer as comemorações do dia 25 de julho - Dia das Mulheres Negras e achei um site incrível sobre coisas da África, que eu recomendo, visite hoje mesmo, muita matéria interessante e esclarecedoras...

http://www.pordentrodaafrica.com

Não resisti a colocar aqui uma crônica pra lá de relevante para levantar reflexões e debates sobre raça, racismo, mulheres negras. A crônica pode ser visitada no link abaixo, para que todos fiquem por dentro da África, abraços.

Meninas negras feitas escravas domésticas e sexuais na região central do Brasil

Recebi no Facebook um link para esta matéria impactante e para a qual o governo federal precisa dar atenção e tomar uma providência, fiquei estarrecida e não poderia deixar de partilhar....

FONTE: http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2015/06/15/meninas-negras-sao-feitas-escravas-domesticas-e-sexuais-na-regiao-central-do-brasil/

Menina2

Por Douglas Belchior, Com informações do R7 Notícias

Quando lembramos que o fim da escravidão –  há 127 anos -, o advento da República, e a própria democracia não significaram mudanças nas estruturas do status quo, tampouco oportunidades iguais e justiça à população negra brasileira, ainda há quem chame de exagero, critique tais afirmações e acuse o movimento negro e quem defende políticas reparatórias de “vitimistas”.

Poucas vezes meios de comunicação da chamada “grande mídia” brasileira abrem espaços para a demonstração de quão a sociedade está muito mais próxima da escravidão do que de uma democracia real. Na noite de segunda-feira 15, a Rede Record promoveu um desses momentos de exceção, ao trazer à tona a gravíssima denúncia de opressão de meninas negras quilombolas, tratadas, em pleno ano de 2015, como escravas domésticas e sexuais, na região central do Brasil.


Menina4

Esse tema, sim, deveria chamar a atenção do Congresso Nacional e de toda a sociedade brasileira, e não a falsa polêmica em torno da redução da maioridade penal e da destruição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que, se fosse efetivado, protegeria a vida e a dignidade da juventude.

Jornalismo da Record revela escravidão doméstica e sexual de crianças negras e pobres

A reportagem revelou ao país a monstruosa realidade a qual crianças negras e pobres da comunidade quilombola dos Kalunga, localizada no território de 3 municípios do Estado de Goiás (Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás), são submetidas há muitos anos.

Empregadas no trabalho doméstico, exploradas no trabalho infantil e escravas sexuais dos patrões, homens brancos. Esta é a realidade vivida por muitas crianças e, ao que parece, desde sempre, ao lado do poder central do país.


Menina8

Meninas, de 9 a 14 anos de idade, exploradas de todas as formas por aqueles que deveriam protegê-las. Famílias abandonadas e coagidas, estruturas de Conselhos Tutelares e defensores de direitos humanos completamente degradados e frágeis. Descaso de governantes. Uma realidade ainda muito comum em especial nos rincões do nosso país, onde permanecemos no século 19.

“O velho coronelismo interiorano ainda rege nosso município”, diz uma das Conselheiras Tutelares da região. “Não temos formação, preparo e condições de intervir.”


Menina7

“A gente tem conhecimento de 57 denúncias, mas na verdade a prática da exploração de crianças negras vem de tanto tempo e de uma forma tão ‘normal’ para aquelas pessoas que o número de casos pode ser muito maior”, diz em vídeo Marcelo Magalhães, editor da reportagem.

Para o repórter Lúcio Sturm, a história de Dalila foi a mais forte: “Ela foi escravizada numa casa, chegou a dormir numa casinha de cachorro. Durante 18 anos ela aguentou essa dor de uma criança abusada, explorada, sozinha em silêncio”, relata.

E as palavras da própria ‘Dalila': “Ela só pegou a coberta, jogou pra mim e disse: vai dormir lá na casinha com ele [cachorro]”

O apresentador do programa, Domingos Meirelles, em vídeo de bastidores reconhece: “Eu tenho 50 anos de profissão e não me lembro, ao longo da minha vida profissional, de ter visto uma história tão chocante quanto essa”.


Menina9

Um ódio, misturado a dúvidas e certezas me agonia o pensamento: como é possível, num país que não alcançou o nível básico de proteção e dignidade à vida de meninas, crianças de 8, 9, 11, 14 anos de idade, discutirmos a destruição da maior legislação de proteção, o ECA? Que espécie de país é esse que naturaliza, banaliza e estimula, por ações e omissões, o estupro coletivo de suas crianças? E que moral têm os senhores engravatados, alimentados por altos salários, corruptos, hereges legislativos que em nome de Deus, da moral, da família, ou mesmo, hipócritas, em nome da história da luta por direitos sociais, “vermelhos-comunais”, que gestam a burocracia, arrotam status, se engalfinham por holofotes e se justificam na burocracia do executivo, dos ministérios, secretarias e conselhos, como o que eu participo, por exemplo – o Conanda – ineficaz, moroso e vergonhoso que é. Que moral?

Talvez a moral do escárnio.

Isso é Brasil: O país do racismo explícito. O país da escravidão continuada.

Assista AQUI o Vídeo 1 – Chamada

Assista AQUI o Vídeo 2 – Bastidores

Assista AQUI o Vídeo 3 – Relatos


Você sabe quem foi Tereza de Benguela? Dia 25 de julho - DIA NACIONAL DA MULHER NEGRA

VOCÊ SABE QUEM FOI TEREZA DE BENGUELA?
TEXTO DE JARID ARRAES
FONTE: http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/07/25/voce-sabe-quem-foi-tereza-de-benguela/
No Brasil, o dia 25 de Julho é o Dia Nacional de Tereza de Benguela; na América Latina e no Caribe, é o dia da Mulher Negra. A data é, no entanto, pouco mencionada pela mídia, assim como pouco se fala da vida da líder quilombola Tereza de Benguela. Saiba mais sobre sua história no cordel escrito por mim publicado abaixo. Para conhecer outros cordéis biográficos, visite minha página: www.jaridarraes.com/cordel
TEREZA DE BENGUELA
Na história do Brasil
Nas escolas ensinada
Aprendemos a mentira
Que nos é sempre contada
Sobre o povo negro e índio
Sobre a gente escravizada.
Nos contaram que escravos
Não lutavam nem tentavam
Conquistar a liberdade
Que eles tanto almejavam
E por isso só passivos
Os escravos se ficavam.
Ô mentira catimboza
Me dá nojo de pensar
Pois o povo negro tinha
Muita força exemplar
E com muita inteligência
Sempre estavam a lutar.
Um exemplo muito grande
É Tereza de Benguela
A rainha de um quilombo
Que mantinha uma querela
Contra o branco opressor
Sem aceite de tutela.
No estado Mato Grosso
Tinha o tal Quariterê
Um quilombo importante
Para livre se viver
Cooperando em coletivo
Guerreando pra vencer.
José Piolho era o marido
Mas chegou a falecer
Então Tereza de Benguela
Veio pois rainha a ser
Liderando com firmeza
Na certeza de crescer.
No quilombo liderado
Era possível encontrar
Estrutura de política
Que seria de invejar
E a administração
Também era exemplar.
Tinha armas poderosas
Pra lutar e resistir
Com talento pra forjar
Se botavam a fundir
Objetos muito úteis
Para a vida construir.
As algemas e outros ferros
Que serviam de prisão
Lá na forja transformavam
Pra outra utilização
E com muita habilidade
Tinham outra intenção.
O quilombo tinha armas
Pela troca ou por resgate
E com muita resistência
Suportavam esse embate
Libertando muita gente
Pela via do combate.
O sistema muito rico
Tinha até um parlamento
E também um conselheiro
Pra rainha embasamento
Que exemplo grandioso
Era o gerenciamento!
Além disso ainda tinha
O plantio de algodão
E também lá se tecia
Pra comercialização
Os tecidos que vendiam
Fora da quilombação.
As comidas do quilombo
Que ali eram plantadas
Dividas entre todos
Também comercializadas
Tudo aquilo que sobrava
Para venda enviadas.
Tinha milho e macaxeira
E também tinha feijão
Sem esquecer a banana
Com fins de alimentação
E as sobras, como disse
Pra comercialização.
Foi por isso que Tereza
Duas décadas reinou
Com a força do quilombo
Que com garra liderou
E por isso pra história
A rainha então ficou.
Em 1770
Quariterê foi atacado
Por Luiz Pinto de Souza
o Coutinho era enviado
Pelo sistema escravista
O quilombo era acabado.
A população de negros
Setenta e nova se contavam
E a população de índios
Tinham trinta que restavam
Foram presos, foram mortos
Pelos que assassinavam.
De acordo com o registro
Tereza foi capturada
Mas depois de poucos dias
A rainha adoentada
Acabou-se falecendo
Da mazela ali tomada.
E os brancos matadores
A cabeça lhe cortaram
Exibindo em alto poste
Pra mostrar aos que ficaram
A maldade desses brancos
Que do racismo enricaram.
Na história brasileira
Ela deve ser lembrada
Como uma grande heroína
Para sempre memorada
Pela sua força e mente
Sempre homenageada.
Dia 25 de Julho
É o dia de lembrar
De Tereza de Benguela
Pois rainha exemplar
Foi durante sua vida
Sem jamais silenciar.
Que exemplo inspirador
Que mulher tão imponente
Foi Tereza de Benguela
Uma deusa para a gente
Que até hoje não desiste
Dessa luta pertinente.
Me revolta esse país
Que não fala na história
Dos seus feitos grandiosos
E de toda a sua glória
O silêncio é explicado
Pela vil racista escória.
É por isso que escrevo
Mulher negra também sou
E registro de Tereza
O legado que ficou
Pois bem poderosamente
A Tereza aqui reinou.
Faço humilde reverência
E saúdo a sua história
Agradeço pela luta
Que me foi dedicatória
Ao racista esquecimento
Faço uma denegatória.
Mulher negra de coragem
E também de inteligência
Com talento e liderança
Com imensa sapiência
Foi Tereza de Benguela
Fonte de resiliência.
Que seus feitos importantes
Não mais sejam esquecidos
Que o racismo asqueroso
Não lhes deixe escondidos
Pois são para o povo negro
Exemplos fortalecidos.
Oh Tereza de Benguela!
Nosso espelho ancestral
Sua alma ainda vive
E entre nós é maioral
Nós honramos sua luta
Sua força atemporal!
FIM
Conheça também o livro “As Lendas de Dandara“, sobre a líder quilombola Dandara dos Palmares:www.aslendasdedandara.com.br
aslendasdedandara

Diga não aos maus tratos aos Cavalos!




Hoje está acontencendo a Abertura da EXPOACRE, feira Agro-pecuária de Rio Branco e todo ano, na cavalgada de abertura ocorrem maus tratos aos cavalos, que ficam horas no desfile da cavalgada sem beber água, carregando duas pessoas ou mais peso; sem veterinário acompanhando o percurso, sem fiscalização.

Mas em 2015, foi feito um abaixo assinado no site da Change que angariou quase 6 mil assinaturas em uma semana e as coisas começaram a mudar. Ainda não conseguimos acabar com a cavalgada, e retirar os cavalos deste desfile de abertura que poderia muito bem ser feito somente com carros, motos e quadricículos, posto que existe muita bebedeira, bagunça, e gente festando, sem nem se importar com o bem estar do animais e todo ano morrem cavalos, desmaiam de sede e de exaustão. Temos que acabar com esta falta de respeito, de amor e consideração com seres vivos que sentem dor, medo, susto, cansaço, sede como qualquer um de nós.

O abaixo assinado foi encerrado, mas em 2016, continuaremos lutando. E sempre é bom registrar que o abaixo assinado teve grande repercussão, incomodou e sacudiu a sociedade inteira e o Ministério Público do Estado do Acre tomou as devidas providências e decretou normas e regras para a Cavalgada 2015. A entidade protetoras de animais abraçaram a campanha de proteger os cavalos na Cavalgada 2015 e garantir sua seguranças e bem estar e estiveram presente nas reuniões com o Ministério Público. Este ano só puderam participar do desfile da cavalgada os cavalos devidamente vacinados contra a anemia equina e cujos donos fossem levar os documentos comprovantes e fazer inscrições da Secretaria de Turismo e Lazer do Estado do Acre, sediada na Arena da Floresta. Rapazes e moças, voluntários, trabalharam em turnos das 8 ao meio dia e das 14 às 18 horas, durante toda a semana que antecedeu o evento, fazendo as inscrições, eu mesma participei na tarde da quinta feira, dia 23 de julho de 2015. Foto abaixo.

Rapazes e moça de bom senso e amor aos animais foram voluntários para fiscalizar todo o percurso da Cavalgada 2015 e que receberam treinamento pelo Dr. Ewerton, na quinta feira, pela manhã no Centro de Zoonoses e na sexta feira, tb pela manhã em fazenda nas adjacências de Rio Branco, um curso preparatório de como manejar animais de grande porte. 

Eles estão em todos os pontos estratégicos da cavalgada deste domingo 26 de julho. São jovens de caráter e coração solidário, parabéns a todos, e eles foram convocados pela Sociedade Amor a 4 Patas e pela entidade Patinhas Carentes, de parabéns por todo o esforço em ajuda e proteção aos cavalos do desfile. Fotos e vídeos do treinamento estão colocados abaixo:

 

 

Rumo a mundo diferente, de amor e respeito aos animais e de solidariedade e amor entre seres humanos que tb se respeitam e caminham juntos. Que esta cavalgada seja o início de uma nova era tantos para os cavalos como para a sociedade que começa a compreender. Meus sinceros agradecimentos a todos que assinaram o abaixo assinado pela retirada dos cavalos e fim da cavalgada, em 2016, a luta continua e contamos com todos vcs novamente. Obrigada. Sucesso e avante!!!



sexta-feira, 10 de abril de 2015

BATE PAPO FEMINISTA NA BIBLIOTECA DA FLORESTA

Em 2013, o cerimonial da UFAC me convidou para dar uma palestra no dia Internacional da Mulher, 08 de março, contrapondo machismo e feminismo... Na ocasião, enquanto preparava os slides da palestra, encontrei um site ótimo, para homens, com um minicurso sobre Feminismo para que os homens entendam a luta das mulheres e suas reivindicações....

O site começava apresentando algumas perguntas bem pertinentes para verificar se a pessoa é feminista ou machista, e depois definia ambos, perguntinhas tais como:

•Mulheres devem receber o mesmo valor que homens para realizar o mesmo trabalho?
•Mulheres devem ter direito a votar e ser votadas?
•Mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha de suas profissões, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
•Mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
•Cuidar dos filhos deve ser uma obrigação de ambos o pai e a mãe?
•Mulheres devem ter autonomia para gerir seus próprios bens?
•Mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
•Mulheres não devem sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou por desobedecer o pai ou marido?
•Tarefas domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
•Mulheres podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?
FONTE: http://www.papodehomem.com.br/feminismo/#

Eu sugiro uma visita prolongada ao site, vale a pena, tem muita explicação boa sobre FEMINISMO.

Então, o coletivo feminista Ô DONA, teve a ideia de me convidar para um bate papo feminista e adorei o convite logo de cara, porque é preciso falar mais sobre feminismo, direitos das mulheres, violência doméstica, gordofobia, sexismo, machismo, lesbofobia, homofobia e todas os preconceitos e estereótipos que marcam a vida da mulher em sociedade...
Temos que desmistificar o feminismo, colocar as coisas no lugar certo, nem é mais uma questão de sensibilizar os homens e a socidade machista, é uma questão de RESISTÊNCIA, feminismo e resistência, sororidade, aprendi esta palavra com as meninas do coletivo Ô Dona e que cada vez mais ele me abre os sentidos, as ideias, a cabeça para tantas reflexões...
O bate papo é para acabar com esta conversa de que feminismo é coisa de mulher chata, que odeia os homens e outras conversa equivocadas que andam por aí...
Temos que abrir os olhos e continuar resistentes, a bandeira de luta agora é resistência....
Convidamos vc e seus amigos e amigas, para este bate papo junto conosco e o coletivo Ô DONA, neste sábado, dia 11 de abril, 16 horas, na Biblioteca da Floresta, com a professora doutora Margarete Lopes, do NEGA - Núcleo de Estudos de Gênero na Amazônia... Não perca!!!!


domingo, 1 de fevereiro de 2015

"PARA SEMPRE ANA ALICE...."

Quero falar, com bastante calma no coração e muito carinho, da minha querida professora, no curso de doutorado na UFBA, em Salvador, de 2001 a 2005, Ana Alice Alcântara Costa. Ela faleceu no dia 26 de dezembro de 2015 e eu ainda não acreditei.... 

Deixei passar os dias devagar, pela grande comoção que senti ao receber a notícia; deixei arrefecer os clamores e lamentos que ecoaram por todo o Norte e Nordeste do Brasil, pelas academias, universidades, Fóruns, Sindicatos, ONGs feministas, Movimentos de Mulheres, Núcleos de Estudos de Gênero e afins... 
Lembrei daqueles versos do Manoel Bandeira, quando morreu Mario de Andrade:
 "Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunharam:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.
Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo, assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra,
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente....
Mas agora não sinto a sua falta.
(É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)
Você não morreu: ausentou-se".

É assim que me sinto agora Ana Alice, "vc não morreu, ausentou-se...". Qualquer dia, irei a Salvador, e nessa hora, talvez olhando o mar, ouvindo uma palestra no Encontro de Estudos de Gênero, de repente, vou lembra de vc e pensar em vc, profundamente... Sei que vou chorar só no coração, ninguém nem vai perceber nadinha...


Você foi uma mulher incrível, militante, batalhadora, incansável,  persistente, incisiva, como tinha de ser uma boa pesquisadora e uma grande feminista. Você ganhou o prêmio Bertha Lutz de 2012, você fundou o NEIM em 1983; eu participei dele de 2001 a 2005, enquanto fiz doutorado e gostava tanto dos Encontros Anuais do NEIM, de apresentar trabalhos que me esmerava em fazer e nunca foram publicados, barrados que foram por minha orientadora, segundo vc mesma me contou, num almoço delicioso em hotel à beira do rio Grão Pará, em Belém, em 2009, na última vez que estivemos juntas... Estava também nesse dia o meu marido Mario Jorge, no encontro da REDOR que Luzia Álvares fez na UFPA....
Tem encontro do NEIM em Salvador, neste ano de 2015, com a visita ilustre de Judith Batler, mas eu preferia que fosse com vc, como teu jeito de falar de mulheres na política, de mais mulheres no Poder, como só vc sabia... Foi com vc que aprendi a palavra "empoderamento" e aprendi que todas temos que nos empoderar....

Vários Grupos de Pesquisa em Estudos de Gênero, e também Núcleos de  Estudos sobre a Mulher homenagearam a professora Ana Alice, por ocasião de seu falecimento, como o GEMA de Pernambuco e o GEPEM, da UFPA. Deste último, coordenado pela professora  Drª Luzia Álvares, da UFPA, publico novamente o lindo e emocionante depoimento....

ANA ALICE ALCÂNTARA COSTA – UMA VIDA

É com imenso pesar que o Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Moraes sobre Mulheres e Gênero - GEPEM/UFPA – informa o falecimento, no último dia 26/12, de ANA ALICE ALCÂNTARA COSTA, pesquisadora e feminista do NEIM/UFBA, cuja vida foi totalmente dedicada a lutar pelos direitos humanos.
Num período em que os estudos sobre as mulheres brasileiras tinham um déficit, não incluindo as/os pesquisadoras/es das universidades do Norte e do Nordeste, Ana Alice organizou, por meio do NEIM/UFBA, o I Encontro de Pesquisadoras/es sobre a Mulher e Relações de Gênero do Norte e Nordeste, em setembro de 1992 (em Salvador), favorecendo a criação da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisas Sobre Mulher e Gênero (REDOR N/NE), rede que estimulou a formação de grupos de pesquisas nas universidades dessas duas regiões. Com isso, o processo constitutivo de um grupo nascente como o GEPEM ao congregar pesquisadoras da UFPA e de universidades particulares e estaduais do Pará fortaleceu-se, num marco de efeitos, sobre o enfoque da história e da luta das mulheres paraenses por seus direitos, incluindo-se no cenário brasileiro.
Desde 1982, Ana Alice era professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (UFBA) fazendo a articulação entre sua atuação acadêmica com a militância feminista. O enfoque principal dos estudos e pesquisas, na sua trajetória acadêmica e militante era o tema das relações de poder. Seu livro “As donas no poder: mulher e política na Bahia” (1998) é referência até hoje para estudos neste campo e afins.
Ao longo de sua vida a dedicação à causa dos direitos humanos das mulheres fortaleceu sua preocupação em ampliar essa causa criando, em 2005, o primeiro programa de Pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, na UFBA, resultante de grande esforço do NEIM.
O interesse na disseminação dos estudos de gênero também fez parte de toda a sua militância junto aos movimentos sociais e de mulheres, em nivel local e nacional, procurando fortalecer a agenda da reforma política para a inclusão, entre outras mudanças, da paridade no sistema de listas eleitorais, reconhecendo um dos direitos das mulheres.
Em março de 2012 lhe foi concedido o prêmio Bertha Lutz, do Senado Federal, como merecido reconhecimento pelo conjunto de sua obra e de sua luta pelos direitos das mulheres.
Nascida em 23 de dezembro de 1951, em Caravelas (BA), Ana Alice participou, também ativamente da luta contra a ditadura militar, nos anos 1970. Seu mestrado e doutorado em Sociologia Política foram realizados na Universidade Nacional Autônoma do México, ingressando ali no Movimiento de Liberación de las Mujeres e vinculando-se, no Brasil, ao Grupo Feminista Brasil Mulher, seção Bahia, primeiro grupo dedicado à questão da mulher e de gênero naquele Estado.
A vida de Ana Alice Alcântara Costa vai seguir o seu curso pelos caminhos onde ela plantou e dedicadamente fez germinar as sementes de conscientização pelos direitos das mulheres, na luta feminista por um mundo melhor.
Ana Alice Alcântara Costa! PRESENTE !

sábado, 31 de janeiro de 2015

O NEGA visita Jackson Viana

No dia 30 de Janeiro de 2015, agendamos uma visita ao jovem escritor e poeta, Jackson Viana. A ocasião foi que lemos pelas postagens no Facebook que Jackson estava fundando uma Academia de Letras Juvenil aqui no Acre. Poderia haver motivo melhor para uma conversa?

Quem é Jackson Viana? Praticamente um menino prodígio, de sobrenome ilustre igual ao do nosso querido governador de Estado Tião Viana. Prodígio? Sim, ainda muito jovem, rapaz de 14 anos, ele já tem 03 livros publicados de prosa e poesia, com a audácia e grande empreendedorismo de criar e fundar uma Academia Juvenil de Letras no Acre, neste ano de 2015.  A mesma tem a sigla de AJAL = Academia Juvenil Acreana de Letras. A sede temporária fica na Biblioteca da Floresta, em espaço cedido pelo diretor Marcos Afonso, sempre apoiador e incentivador de iniciativas culturais e dos novos talentos.
                                       
Jackson Viana e Profª Margarete Lopes - 30/01/2015

Querem mais? Ela já ganhou prêmios, como a conquista do 1º lugar no 43º Concurso de Cartas dos Correios e Telégrafos, aos 13 anos. Na ocasião, ele declarou aos jornais:
“Eu escrevo desde os 8 anos de idade, e vem como algo natural para mim. Recebo apoio em casa e na escola e fiquei muito feliz de poder ter participado, mais ainda por minha redação ter sido escolhida entre milhares de outras enviadas por alunos de todo o país”, disse Jackson. (Em Página 20 - 10 de abril de 2014).
Ele conta que começou a escrever aos 08 anos terminou seu primeiro livro "Onde mora a Felicidade? Superando obstáculos e vencendo na vida", aos 12, com o qual ele gentilmente me presenteou durante a entrevista para o NEGA. 
Abro o livro com gosto para começar a ler e vejo no Sumário que o mesmo contém 03 capítulos e a sinopse está na contracapa: "... é a história de um casal que não se preocupava com Deus, embora sempre o procurasse quando precisavam. O casal se ligava e se preocupava somente com trabalho, contas, luxo e dinheiro. Um dia, devido a uma crise financeira, o casal perde tudo. Então, começa a enxergar e dar mais valor a Deus. Assim, eles conseguem vencer os obstáculos e descobrem onde mora a felicidade".  
O Jackson gentilmente autografa o livro para mim e confidencia sobre o professor Sergio Santos, que foi meu aluno no Mestrado em Letras da UFAC:

"Sergio Santos foi uma pessoa que ajudou muito no meu aprendizado. Por ele ter conhecimento nas Letras - e que conhecimento! - eu sempre pedia algumas dicas na hora de escrever, formatar e diagramar meu livro, além da ortografia, e nunca me negou, sempre disponibilizava uma pequena parte de seu tempo. Tenho que agradecer a pessoas assim, e buscar melhorar a nossa Cultura a cada dia mais" (Jackson Viana).


                       

Continuo lendo e descubro algumas notas biográficas, seu nome completo é Jackson Viana de Paula dos Santos, nasceu em Rio Branco, no estado do Acre, no dia 12 de dezembro de 2000. Mora aqui em Rio Branco, com sua mãe, Luzineide Viana, minha conterrânea, de Tarauacá, terrinha amada, e tem uma irmã Kateryne Susy e 2 irmãos: Clauderson Sampaio e Jairo Lucas. É para sua família que faz a dedicatória do livro, ainda acrescentando o sobrinho, a cunhada e a avó Julieta Viana.



Como todo bom escritor, ele é excelente leitor, conta que adora Cecília Meireles e olha o que ele estava lendo e vi em cima de sua mesa de trabalho. Nada menos que a poesia de Sylvia Orthof.



 Ofereço a ele algumas publicações dos eventos do NEGA, como os Anais das Jornadas de Estudos de Gênero e Literatura, para que ele vá aumentando o acervo da nova AJAL. 
A nova academia, AJAL, está com inscrições abertas para jovens escritores de 12 a 18 anos, tem 40 vagas, portanto 40 cadeiras, como é de praxe em todas as Academias de Letras espalhadas pelo Brasil. O mandato de cada membro será de 04 anos, podendo ou não ser renovado, os interessados podem procurar o Jackson na Biblioteca da Floresta ou pegar as informações no blog do jovem autor. E ele me revela que é preciso ter coragem para fazer este tipo de trabalho. Conta que ele mesmo procura "batalhar". Muita gente pensa que a mãe dele é professora, que ela que lhe dá as ideias de como fazer as coisas. Mas nada disso acontece, a ideia de fundar a AJAL foi iniciativa do Jackson mesmo.
Ela já tem em vista uma lista para selecionar os novos membros e também um Estatuto prontinho para ser aprovado e colocado em prática:
                                  

No dia 19 de janeiro de 2015, o excelente blogueiro Isaac Melo fez uma resenha sobre o Jackson Viana, da qual recomendo a leitura, e aliás recomendo tb ler sempre o blog. Vai o link

http://almaacreana.blogspot.com.br/2015/01/jackson-viana-o-jovem-talento-da-poesia.html#

De lá emprestei um soneto do Jackson, que pertence ao seu segundo livro "Aprendendo a Viver", de poemas e sonetos, para que possam verificar, que sendo tão jovem, já tenha tanta maturidade na escrita, a começar pelo título do soneto:

JOGUEI PRO ALTO MINHAS DORES PRESCINDÍVEIS
de Jackson Viana

Joguei pro alto dores prescindíveis.
Deixei reinar a minha voz, meu grito,
Desprender-me-ei desse forte rito,
pois me rodeiam corpos invisíveis....

Resta-me ainda aquela fria cama,
que vira leito meu, em meu martírio...
que vira alento, mesmo em delírio....
E vira cobertor de quem me ama

Nada passou! Restaram tantos pesos...
E acertam hoje este pés ilesos
As mesmas flechas vis, irreprimíveis...

Também se vão sos que tomam espaços,
Como um dia, junto aos meus pedaços,
Joguei pro alto dores prescindíveis

Finalizamos nossa agradável conversa tomando um gostoso cafezinho e firmando aliança para um Curso de Extensão, ou melhor dizendo uma oficina de Criação Literária, na UFAC, para jovens talentos, os futuros membros da AJAL, ministrada por mim e outros escritores, como o já citado professor e escritor Sergio Santos, e outros a serem convidados como o Antonio Stelio, Vássia Vanessa e quem quiser colaborar, em uma parceria da UFAC e Biblioteca da Floresta. Sei que o Marcos Afonso iria gostar.... Com previsão de ser realizada em abril ou maio de 2015, depois de feitos todos os trâmites de aprovação do projeto da Oficina, na Pró-Reitoria de Extensão.

Termino então recomendando a leitura dos escritos deste novo talento mirim em plagas amazônicas, no Acre, o Jackson Viana, e também uma visita a esta maravilhosa Biblioteca da Floresta, rica em acervos de coisas do Acre e da Amazônia e aproveitem para conhecer a AJAL. Olhem o link
http://academiajuvenilacreanadeletras.blogspot.com.br



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nextel - O que nunca te disse antes

Prêmio mulheres cientistas

Porque as mulheres também ciência e muito bem, desde Marie Currie e sua experiências com o Urânio, que culminaram por matá-la com câncer.

Assim, recebi a notícia pelo Boletim da FAPESP e depois de longa ausência, volto a publicar no Blog e volto para polemizar mais, publicando aqui a reportagem das ganhadoras de prêmio de uma bolsa de pesquisa, no valor de 20 mil reais.... 
Vejam vcs, os homens sempre foram donos absolutos do espaço da ciência, fosse a Física, Química, Biologia, Medicina e mesmo em plena segunda década do século XXI, para sabermos das mulheres nas Ciências, foi estipulado este prêmio anual "Mulheres na Ciência", para que tenha visibilidade o trabalho delas e cá pra nós, pra lá de merecidos os prêmios, confiram na matéria abaixo:

Programa “Para Mulheres na Ciência” anuncia ganhadoras

FONTE: http://agencia.fapesp.br/19585


12/08/2014
Agência FAPESP – O programa Para Mulheres na Ciência, uma iniciativa da empresa L’Oréal Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), anunciou na semana passada o nome das sete cientistas vencedoras de sua nona edição. Elas são de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás e Ceará.
Uma das pesquisadoras de São Paulo é Maria Carolina de Oliveira Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP), com pesquisa sobre os efeitos de múltiplas infusões de células mesenquimais em pacientes com diabetes melitos tipo 1, realizada no Centro de Terapia Celular (CTC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), financiados pela FAPESP.
Também da USP, Ludhmila Abrahão Hajjar foi reconhecida por seu estudo prospectivo e randomizado com balão de contrapulsação intraórtico eletivo em pacientes de alto risco submetidos a cirurgia cardíaca, realizada no Instituto do Coração (Incor).
Foram premiadas ainda as cientistas Manuella Pinto Kaster e Patrícia de Souza Bocardo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com projetos na área de Ciências Biomédicas; Letícia Faria Domingues Palhares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), na área de Ciências Físicas; Ana Shirley Ferreira da Silva, da Universidade Federal do Ceará (UFC), com pesquisa em Ciências Matemáticas; e Carolina Horta Andrade, da Universidade Federal de Goiás (GO), em Ciências Químicas.
As pesquisadoras receberão, cada uma, bolsa-auxílio no valor equivalente, em reais, a US$ 20 mil. A entrega do prêmio ocorrerá em outubro, no Rio de Janeiro.
Na edição internacional do programa, lançado em 1998, cinco notáveis pesquisadoras (uma por continente) são laureadas anualmente. Cinco brasileiras já foram premiadas: a geneticista Mayana Zatz e a astrofísica Beatriz Barbuy, da USP; a física Belita Koiller e a biomédica Lucia Previato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e a física Marcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Mais informações em loreal.abc.org.br.